Por que trabalhar com sistemas de segurança integrados IP? 12/03/2018

Contexto

Integração de Sistemas de Segurança tem sido um abordado com frequência no mercado de Segurança Eletrônica, porém poucos Integradores atuam diretamente, de fato, com Sistemas de Segurança 100% Integrados. Mas, por que integrar?

Integrar traz mais liberdade, flexibilidade, novas possibilidades, soluções exclusivas e personalizadas com um sistema escalável, que pode se adequar a cada oportunidade de negócio. Para os que trabalham com Segurança e acompanham as tendências, a Integração de Sistemas é importante para os negócios, pois, pode otimizar custos, em comparação com sistemas independentes e descentralizados, bem como permite uma gestão centralizada, contratação simplificada, manutenção através de um único contrato, entre outros benefícios.

  

Figura 1. Systems Integration

Integração de Sistemas de Segurança tem sido uma realidade no mercado e é um caminho sem volta. As empresas que não se adequarem a esta nova realidade, poderão estagnar. Diversos fabricantes mundiais de Software, como por exemplo: Bosch Security Systems, Genetec, ISS, Milestone, Tyco e Schneider Electric, tem focado em Sistemas de Segurança Integrados. Esta Integração, que geralmente é gerenciada por um Sistema Base e principal (Core System), pode ser com CFTV, Controle de Acesso, Intrusão, Proteção Perimetral, Automação, Sonorização, Detecção de Alarme de Incêndio, Gestão de Ativos, Contagem de Pessoas, Portaria Remota, Reconhecimento de Placas, Reconhecimento Facial, entre outras disciplinas.


Possibilidades

Com a Integração de Sistemas de Segurança, as possibilidades são diversas, ou melhor, são quase que infinitas. Inicialmente, deve ser verificado qual a necessidade do cliente, realizar alinhamento de escopo e definir os melhores produtos, soluções e fabricantes de forma estratégica para a oportunidade de negócio. Posteriormente a solução completa deverá ser dimensionada para realizar a previsão de custos dos produtos e serviços. Dessa forma, a solução poderá ser ofertada ou projetada e por fim, será realizada a Implantação do Sistema Integrado. A ordem das atividades dependerá do contexto de cada oportunidade de negócio.

 

Prática

Com a Integração de um Sistema de Detecção de Alarmes de Incêndio (SDAI) com CFTV, pode-se posicionar uma Câmera Móvel (PTZ) para o local onde o foco de incêndio foi detectado. Em seguida, a imagem ao vivo será direcionada automaticamente para o a tela do Operador da Central de Operações. Isto é possível com a Integração dos respectivos Sistemas ou módulos exemplificados e configurações previamente realizadas no Sistema.

Outro cenário prático com o objetivo da preservação da vida, é integrar o Sistema de Detecção de Alarmes de Incêndio com o Sistema de Sonorização, permitindo o acionamento de mensagens de voz pré-gravadas, solicitando a evacuação imediata do ambiente, que pode ser um Shopping Center, Edifício Comercial, Aeroporto, Universidade, uma Unidade Industrial ou um outro local aplicável.

 

Figura 2. Fire System

Todos os eventos podem ser reportados para uma mesma Central de Operações e gerenciados por um único software integrado, configurado em modo de alta disponibilidade. Dessa forma, será disponibilizada uma interface única para o Operador, facilitando a utilização do sistema, análise da situação, bem como permitirá uma melhor tomada de decisão dos profissionais de segurança e seus respectivos gestores.

Outra possibilidade prática é a Integração do Sistema de Detecção de Alarme de Incêndio com o Controle de Acesso de Pessoas e Veículos, onde a as portas e cancelas de um Edifício sejam liberadas automaticamente após a detecção de um incêndio, facilitando o deslocamento das pessoas até um local seguro fora do Edifício. As orientações poderão ser passadas automaticamente através de mensagens de voz pré-gravadas ou por meio de Estações de Chamada, se houver integração com o Sistema de Sonorização do respectivo Edifício.

Alguns Fabricantes permitem autenticação dos usuários do Software (VMS), que podem ser os Operadores, bem como os Administradores do Sistema, com a rede corporativa da Empresa, permitindo um único login no Sistema, viabilizando mais um nível de segurança lógica para o Sistema. Geralmente isto é viabilizado através do protocolo LDAP, utilizado pelo Active Directory da Microsoft e também pode ser utilizado no Linux.


Operação do Sistema

Conforme abordado, a Integração de Sistemas de Segurança é possível e com diversas possibilidades, podendo atender a demandas de múltiplos clientes de forma estratégica e simples. É importante observar que para uma assertividade maior em um projeto ou solução de um Sistema Integrado, é necessária uma sinergia entre os projetistas responsáveis pela solução, profissionais de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), cliente final e nos futuros responsáveis pela Operação do Sistema pós-implantação, que geralmente são os profissionais de segurança como: inspetores, gestores, operadores, entre outros profissionais.

Esta sinergia, bem como, realização de alinhamento de escopo, viabilizará a elaboração de um modelo para Operação do Sistema com o objetivo de ter a definição de rotinas operacionais a serem executadas durante a Operação do Sistema, após a entrega final realizada pelo Integrador. Um período de Operação Assistida é recomendável, que o prazo e as condições podem ser negociados entre o Integrador e o Cliente. A Operação Assistida é um ponto importante a ser considerado em um Projeto de Sistema de Segurança Integrado, pois, será uma fase crucial para os envolvidos na Operação do Sistema, se adaptarem ao funcionamento do Software e a nova rotina, com a definição das ações a serem tomadas de acordo com os eventos gerados e no modelo de operação elaborado previamente.

Dessa forma, a definição do modelo de operação do sistema tem extrema importância para um êxito em um Projeto de Sistema de Segurança Integrado, pois, se o Sistema for implantado adequadamente, conforme planejado e especificado, mas, os responsáveis pela operação e seus devidos gestores, não estiverem adequadamente alinhados com o modelo de operação do sistema bem como os recursos disponíveis, haverá perda de investimento financeiro e insatisfação por parte do cliente final, que investiu, todavia não pôde usufruir do que foi projetado e contratado. Treinamento para as equipes envolvidas na operação do sistema também são o ponto chave nesse processo.


Sistema de Segurança Integrado IP ou analógico?

Para muitos profissionais que trabalham em Soluções e Projetos de Sistemas de Segurança Integrados, a resposta pode parecer óbvia, mas, algumas considerações são importantes. Com base no que já foi fundamentado, o mais adequado para um Sistema de Segurança Integrado novo, é que seja 100% IP. Mas o que significa IP? IP representa Internet Protocol, é o protocolo de comunicação utilizado na internet e em redes locais (LANs), que permite que um dispositivo ou equipamento seja gerenciado e acesso via Rede.

Com o Sistema de Segurança Integrado IP, todo o hardware, que estará diretamente integrado ao Sistema, possuirá uma interface ethernet, que seja de preferência, Power Over ethernet (PoE), suportado pelos switches adequadamente dimensionados, viabilizando alimentação elétrica através do cabo par trançado (UTP), ou, com conversores de mídia onde for necessário utilização de fibra óptica, quando aplicável.

 

Figura 3. Conectividade.

O PoE já é utilizado com frequência, principalmente em projetos de médio e grande porte, com o objetivo de economizar em infraestrutura, ponto elétrico exclusivo por equipamento, fontes de alimentação e consequentemente otimizando os custos dos serviços Implantação e Manutenção de toda a Solução. Além de Câmeras IP, Fabricantes já possuem outros dispositivos PoE, como: Controladoras, Intercomunicadores, Alto-falantes, Sensor de Movimento por Laser, Decodificadores (Decoders) e Codificadores de Vídeo (Encoders). Os encoders podem ser utilizados para suportar Câmeras do legado analógicas, que foram adquiridas previamente e já estão instaladas.

Em um Sistema de Segurança Integrado novo, por que não utilizar DVRs (Digital Video Recording), mesmo existindo no mercado Câmeras analógicas com alta definição, cabos coaxiais de melhor qualidade e a tecnologia “Power Over Coax (PoC)”. O Power Over Coax viabiliza alimentação das Câmeras analógicas através de cabo coaxial, através de conversores nas pontas. Pode ser uma solução, mas pode ser custoso garantir qualidade da imagem aproveitando o cabeamento coaxial existente e por muitas vezes antigo.  Mesmo com a evolução citada de dispositivos analógicos, o gerenciamento e o troubleshooting só poderá ser realizado de forma remota até o DVR. Se houver algum defeito na Câmera ou for necessário realizar alguma intervenção, deverá ser feita uma verificação local na câmera.

Alguns Fabricantes continuam investindo em soluções analógicas com foco em alguns nichos de mercado, porém com a redução das Câmeras IP, bem como o valor agregado a curto, médio e longo prazo, a tendência é que os sistemas analógicos ou híbridos com a utilização dos DVRs, diminuam em Projetos novos, mesmo os de pequeno porte.

O valor de investimento em câmeras IP, bem como em um cabeamento estruturado metálico ou óptico já é bem menor do que no passado, ressaltando ainda o valor agregado e diversos benefícios como: gerenciamento 100% remoto de todos os dispositivos conectados à rede, mais velocidade, controle e agilidade na implantação do sistema, viabilizado por meio da configuração de múltiplos dispositivos em lote, gerando economia no valor dos serviços, bem como otimização e redução no prazo para a implantação do sistema.

Esta configuração de dispositivos IP em lote, que pode ser de Câmeras, permitirá a realização de configurações de centenas de dispositivos ao mesmo tempo, realizando tarefas como: atualizações de firmware, ajustes na qualidade e recursos da imagem, configuração de parâmetros dos streams, ou seja, fluxos de gravação e visualização, configurações de protocolos, entre outras tarefas, que poderão ser realizadas simultaneamente e de forma totalmente remota por rede local ou internet, otimizando o tempo da execução dos serviços.

Com a utilização dos dispositivos IP, será permitido o gerenciamento remoto facilitado através de acesso via web, através do próprio Software/VMS, como também pelo próprio software do fabricante da câmera, controladora, painel de intrusão, painel de incêndio ou de qualquer outro dispositivo IP, que necessitará estar integrado diretamente ao sistema.

  

Figura 4. Câmera IP

Dessa forma, a manutenção também será mais otimizada, pois, o analista poderá realizar troubleshooting e prestar suporte técnico remotamente a quilômetros de distância em diversos casos, através de uma rede própria ou internet, sem necessidade de ter acesso físico a Câmera ou outro Dispositivo IP, economizando custos de trabalho em altura, quando aplicável, tempo de deslocamento e combustível. Estas atividades não são viáveis utilizando câmeras analógicas com DVRs. Por estes fatores, é recomendável que um Sistema de Segurança Integrado novo seja IP e não analógico, pois mesmo utilizando um DVR ou codificadores de vídeo (encoders) com Câmeras analógicas, o Sistema será “híbrido” e não 100% IP, inviabilizando os benefícios citados.

A utilização de NVRs (Network Video Recording), específicos de fabricantes pode se aplicar em projetos menores, porém não são recomendáveis para projetos de médio ou grande porte com gerenciamento centralizado, pois os servidores e/ou storages são mais adequados, devido à alta escalabilidade e abertura para ampliar o sistema posteriormente de forma simplificada.

Existem NVRs compatíveis apenas com Câmeras do próprio fabricante, bem como com Câmeras através dos protocolos ONVIF ou PSIA, porém esses protocolos, apesar de serem uma evolução considerável, possui padronizações, gerando limitações para grandes projetos, pois nem todos os recursos nativos da Câmera são integrados nativamente através desses protocolos, como por exemplo: analíticos, algoritmos de compressão específicos por fabricante, disponibilidade de quantidade simultânea de streams e resolução máxima por stream (fluxo de vídeo).

A Integração geralmente é realizada de forma mais plena entre o Fabricante da Câmera o Fabricante do VMS, por meio da Application Programming Interface (API), onde os dois Fabricantes trabalham em conjunto para disponibilizar todos ou o máximo número de recursos nativos da Câmera ou em outro dispositivo IP para o VMS (Video Management System), BMS (Building Management System) ou PSIM (Physical Security Information Management).


Infraestrutura de TIC

Outro escopo essencial para um pleno funcionamento de um Sistema de Segurança Integrado é a Infraestrutura de TIC, que em alguns casos é contratada em conjunto com os itens do Sistema ou de forma separada. Esta Infraestrutura Tecnológica deve ser adequadamente dimensionada e especificada, que por sua vez, contempla diversos itens, como: servidores, storages, HDs adequados para armazenamento de vídeo, workstations, monitores, vídeo wall e a rede ethernet com seus respectivos itens ativos e passivos, incluindo enlaces de rádio, quando aplicáveis.

Dependendo do porte do sistema, é importante considerar alta disponibilidade do sistema com redundância de gerenciamento e gravação do Sistema (fail over), utilizando servidores em “hot stand-by”, onde, se um servidor principal ficar indisponível, o servidor secundário assumirá integralmente o gerenciamento do Sistema, de forma automática.

A redundância na rede também é um fator importante a ser considerado, como: Switches-Core redundantes, utilização de switches empilháveis com o objetivo de tornar a rede mais escalável, consideração de conexões de uplink redundantes entre os Switches de Acesso e/ou Distribuição, a depender da arquitetura da Rede, fontes redundantes nos Switches, Servidores e Storages, assim como redundância para o armazenamento dos dados por meio de RAID5 ou RAID6, por exemplo. Em alguns casos Projetos, é possível dimensionar e considerar nobreaks redundantes, onde já tive oportunidade de trabalhar em um Projeto, onde a solução foi elaborada da forma exemplificada.

 

Figura 5. Datacenter.

Estas considerações citadas formam um cenário ideal e mais seguro, com o objetivo de minimizar os riscos de indisponibilidade do Sistema, garantindo um nível baixo de downtime, bem como viabilizando um alto índice de satisfação do cliente final e dos responsáveis pela Operação do Sistema, demonstrando foco total no negócio e no Cliente.

É importante considerar que, nem em todos os casos as possibilidades de redundância poderão ser viáveis, mas diante do porte e nível de criticidade do cenário, do tipo de cliente, e de cada Sistema, é importante equalizar o valor do investimento inicial e dos benefícios gerados, lembrando dos conceitos do CAPEX e OPEX, pois a curto, médio ou longo prazo, os níveis de redundância poderão ser altamente vantajosos para ambas as partes, tanto Integrador, quanto Cliente final.


Investimento

Quanto pode custar um sistema de segurança integrado? Isto dependerá de diversos fatores, como: escopos inclusos, quantidade de pontos de câmeras, pontos de controle de acesso, painéis de intrusão e acessórios, pontos do sistema de detecção de alarme de incêndio, tipo do sistema de sonorização adequado para cada oportunidade, bem como pela forma que a integração será realizada.

O investimento de um sistema integrado pode ser bem vantajoso, quando bem dimensionado e com o devido planejamento. O retorno poderá ser a curto, médio e longo prazo, conforme os benefícios citados, mas principalmente na centralização do gerenciamento, manutenção única, operação central e otimização do valor do investimento.

A integração de um sistema de segurança IP pode ser realizada de diversas formas, que pode ser de forma nativa, através licenciamento de software previamente desenvolvido por fabricantes, por meio desenvolvimento de software customizado, realizado pelo integrador, como também desenvolvimento da integração utilizando protocolos padrões de mercado, como: OPC, BACnet e Modbus.

 

Thiago Vasconcelos
Consultor de Soluções Integradas
Perfil Linkedin
Avantia
www.grupoavantia.com.br

Consultor de Soluções da Avantia, Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá, com experiência em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) desde 2004 e Segurança desde 2011 com foco em Sistemas de Segurança Integrados. Experiência prática do ITIL na Petrobras, atuação com Suporte Técnico de TIC nos Níveis 1, 2, 3, Supervisão, Projetos e Consultoria. Em Sistemas de Segurança Integrados, experiência com elaboração de soluções, memorial descritivo, aceitação de projetos, transferência para operação (TTO), especificação técnica, consultoria, pós-venda e implantação.

Experiência em diversos Projetos, como: Aeroportos, Condomínios, Governo, Indústria, Metrôs, Petrobras, Shoppings Centers, Rodovia e Vale.

Profissional Certificado Axis, Bosch Security Systems, Cisco, Dell, Legrand, ISS, ITIL, Kiper e Microsoft.